09 Agosto 2009
Rio de Janeiro -
Notícias Copa 2014
Qualquer torcedor que vá ao Maracanã, e que seja minimamente crítico, sairá do estádio com a certeza de que o Brasil não tem a menor condição de sediar a Copa do Mundo de 2014. É uma vergonha a falta de respeito com o torcedor, a começar pelas enormes filas para a compra de ingressos, além do desconforto de ter que se abaixar na bilheteria para falar com o atendente.No jogo entre Flamengo e Atlético/MG, pela décima quinta rodada do Brasileiro, a desordem reinava no estádio. Do lado de fora, a livre ação dos cambistas que oferecem ingressos sem nenhuma abordagem da PM. Já do lado de dentro, a bagunça continua com a contribuição da SUDERJ, dos clubes e dos torcedores.
Logo nas rampas de acesso, ambulantes que antes atuavam nas ruas estendem seus varais e oferecem produtos pirateados do Flamengo. Alguns até chegam a subir nos muros laterais, na mais nítida comprovação da incompetência da diretoria rubro-negra, que coloca dentro de sua casa vendedores que trazem prejuízo financeiro para o clube. Mas o que é esse prejuízo perto da atuação de dirigentes que enriquecem licitamente?
Uns torcedores dão tapas na estátua de Mário Filho!
Nas arquibancadas, assentos sujos, alguns danificados, com torcedores e vendedores andando sobre eles. O torcedor à minha frente, a cada lance errado pelo time da casa, chutava o encosto da cadeira. Outros sentam-se com os pés sobre os encostos. Os banheiros sujos, insuficientes, sem nenhuma privacidade.
O “choque de ordem” da prefeitura retirou os ambulantes que vendiam lanches perto do estádio, mas não criou alternativas para que os freqüentadores tenham opção para comer. Na saída, mais tapas na estátua! Alguns ônibus não param para os torcedores. Nos trens, a super lotação e o empurra-empurra costumeiros.
Enquanto isso, os projetos para a Copa seguem a todo vapor, deixando políticos e cartolas interessados em lucrar com o dinheiro público num estado de êxtase total. Seus discursos vazios e orquestrados de que a realização do evento trará um crescimento em infra-estrutura, além dos lucros gerados pelo grande fluxo de turistas no país, não justificam os altos gastos que já estão sendo feitos para a realização do mundial da FIFA. No fim, continuaremos nós, o povo, sem os hospitais, sem as escolas públicas de qualidade e com a mesma bagunça no transporte coletivo.
E onde está a nossa imprensa, que assiste a tudo e não faz e não fala nada?!
Ela está quase sempre ocupada com discussões intermináveis que não levarão nosso esporte a lugar algum. Para fazer conchavos, puxar saco de dirigentes, treinadores, jogadores e empresas patrocinadoras não é preciso ter diploma. Basta ser cara de pau, mau caráter, desonesto e anti-ético. E disso a mídia esportiva brasileira está cheia.
Queremos e precisamos de uma mídia que cobre, que investigue, que vá ao encontro das necessidades do torcedor. Mas a verdade é que este quadro é irreversível: todos nós conhecemos o “esgoto que corre debaixo dos gramados” de nosso país e do mundo.
E nossas empresas jornalísticas, que muito lucrarão com isso, como sempre irão se calar e virar as costas para as camadas populares, essa massa que enche os estádios e que move a nossa verdadeira paixão pelo futebol.
Fonte: Fazendo Media
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