Copa do Mundo de 2014 e o Desenvolvimento Econômico



Flávio Domingues

Consultor de Turismo

fd@flaviodomingues.com.br

É inquestionável que o crescimento do Brasil nos últimos anos foi grande. Os principais índices da economia, a importância do país no debate político, a projeção do Presidente Lula que, segundo o presidente americano, é “o cara”, entre muitos outros indicadores, confirmam o sucesso do país. Receber eventos do porte de Copa do Mundo e Olimpíadas é a medalha de ouro entregue pela comunidade internacional aos brasileiros por nossa entrada no seleto grupo de países que têm IDH acima de 0,8 – os considerados desenvolvidos. Por outro lado, ninguém duvida que haja muito ainda a ser feito e que desigualdades sociais não serão solucionadas com construção de novos estádios de futebol, rodovias e viadutos, o tal “legado”, que foi incluído no vocabulário de todos que falam de Copa e Olimpíadas, como sendo panaceia para as mazelas nacionais.

De fato, esses eventos trarão consigo muito mais. Trarão a oportunidade de conclamar a sociedade e realizar ações concretas que, verdadeiramente, ataquem as ditas mazelas. Este debate deve ser iniciado, pois não podemos correr o risco de, ao final de 2016, lamentarmo-nos de perda, não dentro dos campos, mas na vida dos brasileiros. O país precisa fugir do discurso uníssono do legado da infraestrutura e discutir sobre o aproveitamento da Copa do Mundo para acelerar o desenvolvimento econômico e social da nação como um todo. Pensando nisso, propomos um plano de ação, para captação de investimentos produtivos, apoiado de forma consistente na realização da Copa do Mundo no nosso território.

Todos que militam na atração de empreendimentos internacionais sabem que trazer empresas para um novo polo de atração é uma atividade que exige muito mais que inspiração, exige mesmo transpiração. Além desse esforço, é necessária uma conjunção de fatores que façam um investidor optar por este ou aquele país para receber o seu empreendimento.

A visita in loco é, talvez, uma das melhores maneiras de influenciar uma decisão de milhões de dólares e a Copa do Mundo é um gigantesco atrativo para seduzir grandes investidores para conhecer o que temos a oferecer, associando a convites para jogos. Em outros momentos, esses investidores estão sempre muito ocupados e pouco dispostos a desbravar novas fronteiras de desenvolvimento. Assim, cada uma das sedes da Copa poderia atrair mil ou dois mil investidores internacionais e fazer um gol decisivo para captar grandes empresas para se instalar no país e gerar emprego e renda para o povo brasileiro, tornando realidade os tão sonhados benefícios da Copa do Mundo.

O capital investido nessa estratégia será insignificante comparado aos vultosos investimentos que o país fará na construção civil e será perdoado o governante que gastou nossos impostos quando aportarem investimentos semelhantes ao de uma Kraft Foods, que para Pernambuco destinou mais de R$ 100 milhões para a economia local.

Não podemos deixar de lembrar que este campo é da iniciativa privada e as empresas nacionais devem iniciar seus planejamentos para Copa e Olimpíadas buscando melhor se posicionarem no mercado e ampliarem seus negócios. Se não podemos estar presentes nas placas publicitárias dos estádios, temos que encontrar caminhos para também marcar gols e consolidar o país como grande destino de investimentos.

Pernambuco tem a chance de sair na frente potencializando o sucesso do evento, atraindo investimentos, promovendo o turismo e garantindo a sustentabilidade do desenvolvimento conquistado por, quem sabe, 30 ou 40 anos.
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