Copa do Mundo 2014 – Mais desafios para o Brasil



copa2014_blatterO Brasil inteiro começa a se mobilizar para torcer pela Seleção brasileira. O time, estrelado por Robinho & Cia. Ltda., certamente encantará o mundo com jogadas capazes conquistar o sonhado hexa. Todavia não vou falar de futebol, pois trabalho com Turismo. O que me faz notar as notícias da Copa da África do Sul são as experiências na preparação que podem ajudar ao Brasil a cumprir o seu dever de casa para o mundial de 2014, com ou sem hexa.

Das notícias que tenho lido sobre a preparação da África, a maioria foi de críticas negativas à organização, o que confirma meu pensamento de que a primazia da elaboração da Copa passa pelos órgãos de turismo além da participação do trade turístico e empresários.

Posso citar três exemplos de que o discurso que ressaltava a geração de emprego, promoção dos valores nacionais e a chegada de turistas parece não estar sendo cumprido na África do Sul. 1) Como noticiado recentemente, a produção dos mascotes foi feita por uma indústria chinesa acusada de utilizar adolescentes para trabalhar com salários que beiram o da escravidão. Isso anula qualquer indício de compromisso social. 2) O clipe musical do evento elegeu como protagonista a colombiana Shakira, enquanto os artistas da terra serão meros coadjuvantes. Um desprezo à cultura local! 3) 500 mil ingressos não conseguiram ser vendidos para estrangeiros e estão agora sendo comercializados para o povo africano a preços módicos, logo, cerca de 125 mil turistas não visitarão o país e deixarão de levar quase US$ 500 milhões em diárias nos hotéis africanos e regiões vizinhas. Um prejuízo à economia local que fez um bilionário investimento para receber o evento da FIFA.

clockAs fortes associações do ramo do turismo brasileiro, como Abav, ABIH e Abrasel que, até agora, em todo país, pouco participaram das discussões sobre o evento, devem exigir dos governos federal, estadual e municipais que os insiram e ainda, principalmente, que liderem os debates, pois, para o Brasil, a Copa não é um evento esportivo, mas essencialmente turístico e, para o seu pleno sucesso, deve ser trabalhado por quem lida com o marketing turístico, ou seja, por quem está acostumado a vender o Brasil como destino e como produto turístico. Do contrário corremos o risco de copiar os erros da África do Sul.

Ao invés de estarmos apenas de olho nas TVs assistindo aos jogos dos comandados de Dunga, é hora de capacitar os artesãos brasileiros para produzir artesanatos que possam ganhar mundo com o aval da FIFA, de vislumbrar os ritmos regionais como trilha sonora do evento nas vozes de cantores como Lenine, Pedro Luís, Carlinhos Brown e outros astros, tão geniais como os que fazem arte dentro das quatro linhas do gramado.

É bem vinda a campanha publicitária que será veiculada pelo mundo após a conclusão da Copa 2010 e clamamos por um planejamento estratégico bem feito, nos moldes do que faz o ministério do turismo e a Embratur que, nos momentos mais difíceis da economia mundial, mantiveram o crescimento dos números do turismo.

E se minha prioridade é o foco no turismo, não posso deixar de ter atenção com a pressão que a FIFA faz no Brasil para que as obras de infraestrutura decolem, pois sem elas não haverá turismo, não haverá Copa, não haverá assunto mais relevante até 2014, pois tudo pode ser facilmente redirecionado à Inglaterra. Porém nisso não acredito, pois o Brasil até demora para começar, mas quando decola voa alto e rápido.

Flávio Domingues – Consultor de Turismo – fd@flaviodomingues.com.br

 

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