Empregos na Copa 2014



bhA Copa do Mundo de 2014 vai elevar em 1% o Produto Interno Bruto (PIB) de Minas Gerais, principalmente em Belo Horizonte, e vai gerar pelo menos 38 mil empregos. No país, a elevação na soma das riquezas produzidas será de 0,69% e o número de postos de trabalho crescerá 0,5%. Ao todo, a capital mineira receberá R$ 1,4 bilhão em investimentos em melhoria de infraestrutura em grandes avenidas da cidade e no Mineirão. Os dados fazem parte de um estudo que projeta os impactos econômicos dos jogos no país e no estado, elaborado pelo pesquisador e professor da Faculdade de Ciências Econômicas (Face) da UFMG Edson Domingues.

Apesar dos números aparentemente positivos, o trabalho questiona a capacidade de eventos como Olimpíada e Copas do Mundo de produzirem benefícios para a economia local de modo permanente. De acordo com o levantamento, apenas em 2006 a cidade de Montreal, no Canadá, conseguiu quitar uma dívida de R$ 2,8 bilhões gerada pela organização dos jogos olímpicos três décadas antes. "O principal resultado da Copa de 2014 parece ser a melhoria da infraestrutura urbana nas cidades-sede, o que efetivamente representa impacto de longo prazo na eficiência econômica delas", afirma o pesquisador.

Para o economista-chefe da Austing Rating, Alex Agostini, os investimentos em mobilidade urbana que serão realizados em função dos Jogos Olímpicos e da Copa no Brasil são uma necessidade cuja realização seria postergada para o "longuíssimo prazo" se a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016 não fossem correr no país. "Com eventos que têm data marcada, esses investimentos serão acelerados", observa. De acordo com ele, nos setores diretamente afetados, haverá geração de emprego momentânea. Por outro lado, os investimentos em infraestrutura vão permitir melhores condições de escoamento da produção no futuro, e também melhorar a estrutura de acomodação turística, estimulando o turismo no Brasil.

De acordo com o estudo, um dos pontos-chaves dessa polêmica é que muitas vezes os eventos são bancados por dinheiro público. "Em 2014 não será diferente: os cerca de R$ 15,4 bilhões estimados para obras de infraestrutura urbana e construção ou reforma de estádios no país virão sobretudo dessas fontes", afirma o trabalho. Segundo os pesquisadores, dados divulgados em fevereiro pelo Ministério dos Transportes indicam que a maior parte do bolo – R$ 10,1 bilhões – será financiada pelos vários níveis de governo e destinada à remodelagem da infraestrutura nas 12 cidades-sede. O restante, R$ 5,3 bilhões, também virá, em grande parte, do setor público, uma vez que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) financiará 64,8% do total.

Nas simulações feitas pelos pesquisadores da UFMG, porém, a predominância dessas fontes nos investimentos foram responsáveis por uma retração do impacto econômico da Copa de 2014. "Esse impacto tende a diminuir com o financiamento público para as obras de estádios de futebol, uma vez que implicam o crescimento da dívida pública ou a redução do gasto das diferentes esferas de governo envolvidas", sustenta Domingues. Em todas as cidades-sede, a construção civil será o setor mais beneficiado pela realização dos jogos do Mundial na fase de execução das obras, com crescimento previsto de 4,05%. Com menos destaque, aparecem os segmentos de máquinas e equipamentos (1,72%), produtos minerais não metálicos (1,72%) e material elétrico (1,11%).

Para Agostini, a realização da Olimpíada e da Copa do Mundo no Brasil carrega dois tipos de risco: o do planejamento financeiro e o do planejamento estrutural. "A questão é saber quanto dinheiro será usado e como as obras serão aproveitadas depois que estiverem prontas", afirma. Para o economista, o Brasil vive uma condição ímpar para realizar eventos como esses porque pode aprender com a experiência de outros países. "Estamos vivendo um momento econômico muito positivo. O país tem sido destaque na economia mundial e atrai multinacionais. Esses eventos não carregam o propósito de transformar o país com benefícios duradouros para o setor produtivo (de modo geral), mas a melhoria da infraestrutura e da logística de produção são importantes", explica o economista.

O estudo da UFMG aponta que entre os impactos da realização desses eventos aparecem a ampliação dos setores de serviços e hotelaria, do fluxo de turistas durante a após os jogos e a maior atração de investimentos externos. Esses fatores, porém, não foram incluídos na análise dos pesquisadores, pois se considera "difícil estimar e mensurar sua ocorrência em função de um único evento".

UAI

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